EMBRULHO LÍQUIDO, BIANCA LAFROY!!
Evoé! Finalmente o livro da minha amiga Bianca Lafroy! É com imenso prazer que dou essa deixa, caros leitores. Viva! Acabo de receber uma caixinha com alguns exemplares, acomodados delicadamente com plástico bolha cujo transluz deixa escapar a cor viva da capa: Embrulho líquido! Eis um livro, meus senhores e minhas senhoras, para se ler e transler. E sei bem do empenho dessa moça-moço (desde 2004...) em publicá-lo. Aos reticentes com o seu texto mucoso, ei-lo! Bem-vinda, querida Bianca! (Ricardo Corona)
(texto de contracapa):
Bianca Lafroy es un héroe o una heroína sobrerreal cuya impronta se lee como el negativo de cada poema, en una línea que desciende del argentino paulista Néstor Perlongher, tanto del poeta de “¿Por qué seremos tan hermosas?” como del autor del Negocio del Miché. Prolonga esa línea de exquisita in-definición, en que la impostura de una travesti es el recalco de un andrógino. Ya es hora de que los bordes entre lo masculino y lo femenino se derrumben, y aquí el oído de la poesía está dedicado a la fracción infinitesimal de un rompimiento de fronteras y de un pasaje, como en aquel verso del poeta venezolano Marco Antonio Ettedgui: “se me pasa de hombre a mujer, basta un parpadeo”. Y este parpadeo es el momento poético de Bianca, estupendo pero no requintado. Como una constelación, se van adhiriendo aquí fragmentos de textos imantados por este fenómeno, fragmentos al imán del pasaje a dos tiempos, a dos focos, un delicado equilibrio en que se está sin estar en los platillos del consabido sistema binario del género, más bien rompiendo la opresión y violencia de la matriz del género. En este sentido es un texto profético, una profecía del presente, la medida de una apertura de la sensibilidad, y el descubrimiento de lo que siempre estaba allí.
Roberto Echavarren
3 poemas de Lafroy:
No mergulho pra dentro de mim
(albina e hibernante
MUÑECA TRÓPICA), vertigem
e precipício,
labirinto sem fio,
viagem à célula-mãe,
costela de Adão
à expansão e alargamento
dos sexos.
Ruir em queda livre
não é ruim.
Só em queda livre se ri de si mesmo.
Ela não dirá mais à sombra de seu próprio ciúme
que as sobrancelhas desalinhadas
são antenas de barata.
Dei-lhe os pelos das narinas
e exigi o cuspe sobre a glande.
Nadja,
A PASSANTE ENIGMÁTICA,
aparição-desaparição
e perigo.
Eu sou todos os mitos
de Maria Madalena.
Eu juro que não sou Júlia Wanderley
Serei Jo Calderone by Gaga?
Leo? Lou?
(“Não sou uma resposta.
Eu sou uma pergunta.”)
Ou o dialeto inventado
em língua-esperma.
Eu sou Hedwig,
o CABEÇA-DE-ROUBADO da ex-alemanha oriental.
Eu sou Nano Florane,
o marinheiro passivo do navio pirata
(desnudo no significado de
frégate
ou como dizem os anglo-saxões
e suas diluições:
frigging).
Eu sou Jean Gejietti,
estudei as ruas e também os mares,
sei dos uniformes dos escravos
que manobravam remos no século XVII,
de sua lona cinza sobre os músculos,
suas correntes se chamavam “ramos”
e os punhos de renda, jabô e meias de seda
do capitão
Notre Homme.
Eu sou François-Timoléon de CHOISY, o abade.
Eu sou Madame Satã, Edwarda?
Ou serei Rrose Sélavy?



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