(...) Antes uma experiência de meditação emotiva, porque tão livre quanto ciente do inacessível branco. Escrever um apagamento, a violência de dizer o inaudito, sabemos, dói na página. Falo do branco da neve sobre a página branca. Ausência que não permite deitar palavras em busca do mito e, sobretudo, da tragédia. Exceção feita à imagem poética. Céu-branco. Nuvens obsessivas querendo ocupar os vãos. Mas sejamos abomináveis, invisíveis homens que sabem que a noite é também um sol, façamos branco sobre branco. Homem das neves abandonando rastros com suavidade. Sem o desejar, seu gesto tem se inserido no imaginário do mundo. Palavras a troco de pegadas na neve. Épico que dura o tempo do degelo. Por isso dói esse branco na página. Fiquemos com essa dor e, em seguida, troquemo-la pelo frio da neve, em busca da sensação possível, diante do improvável e que esse possa se expandir da branca neve ao branco da página. Expandir-se em invisibilidade. Branco sobre branco sobre branco. Mas não se deixe enganar, pois sabemos que o líquido da neve, seu branco, liquidar-se-á. Branco, frio e água. Corpos diferem – e? Sabemos do abominável. Apesar da invisibilidade. Que o frio contraia os músculos e distraia a imaginação. Contração e dilatação. Os flocos de neve em quedas oblíquas – à deriva do vento –, um a um, suaves e soltos, flocos sem série, sem par, adensam o branco, o frio e a água. (Dói esse falso branco da página). (...)
in: Ahn? [Abominável homem das neves], de Ricardo Corona, da edição brasileira (a sair pela Editora da Casa).
(...) Antes una experiencia de meditación emotiva, porque tan libre como esciente del inaccesible blanco. Escribir un apagamiento, la violencia de decir lo inaudito, sabemos, duele en la página. Hablo del blanco de la nieve sobre la página blanca. Ausencia que no permite echar palabras en busca del mito y, sobretodo, de la tragedia. Excepción hecha a la imagen poética. Cielo-blanco. Nubes obsesivas queriendo ocupar los vanos. Pero seamos abominables, invisibles hombres que saben que la noche también es un sol, hagamos blanco sobre blanco. Hombre de las nieves abandonando rastros con suavidad. Sin desearlo, su gesto se va insiriendo en el imaginario del mundo. Palabras a cambio de huellas en la nieve. Épico que dura el tiempo del deshielo. Por eso duele ese blanco en la página. Quedemos con ese dolor y, enseguida, cambiémoslo por el frío de la nieve, en busca de la sensación posible, ante lo improbable y que él pueda expandirse de la blanca nieve al blanco de la página. Expandirse en invisibilidad. Blanco sobre blanco sobre blanco. Pero no se deje engañar, pues sabemos que el líquido de la nieve, su blanco, se liquidará. Blanco, frío y agua. Cuerpos difieren – ¿y? Sabemos de lo abominable. A pesar de la invisibilidad. Que el frío contraiga los músculos y distraiga la imaginación. Contracción y dilatación. Los copos de nieve en caídas oblicuas – a la deriva del viento –, uno a uno, suaves y sueltos, copos sin serie, sin par, adensan el blanco, el frío y el agua. (Duele ese falso blanco de la página). (...)
in: ¿Ahn? [Abominable hombre de las nieves] , de Ricardo Corona, da edição espanhola (a sair pela editora Poetas de Cabra (2).
era necessário mais que um parágrafo. uma. duas páginas para uma primeira olhadinha. assim, tão pouco, um parágrafo, quase nada, é meio frustrante
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